Pages

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Instituto de Ciências Biomédicas - UFRJ

A ORIGEM NOS ANOS DE CHUMBO

Visite o site da ICB, clique aqui .

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro foi fundado em 1969, em pleno governo militar e sob a égide do Ato Institucional no. 5, o instrumento legal coercitivo que sustentava a ditadura. Naquela época, a palavra de ordem era homogeneizar para melhor controlar. Seguindo essa orientação, a reforma universitária de 1968 já havia indicado que o ciclo básico das profissões da Saúde fosse separado do ciclo profissional, e unificado em institutos de ciências biomédicas ou similares. Praticamente todas as universidades federais, então, criaram os seus ICBs, reunindo os professores de anatomia, histologia, fisiologia, farmacologia etc, sob a mesma unidade acadêmica.

O nosso ICB não foi exceção. O primeiro diretor, homem liberal de espírito generoso, foi Lauro Sollero, então professor catedrático (depois professor titular) de Farmacologia. Sollero implantou o ICB ainda na Praia Vermelha, onde funcionou até 1972, ano da mudança para o campus do Fundão. A criação do ICB teve um lado positivo, pois permitiu maior proximidade com o Instituto de Biofísica, fundado muito antes (1945) por Carlos Chagas Filho, o que garantiu uma gradativa, porém sustentada, introdução da pesquisa científica nos departamentos. O lado negativo foi a separação, que se acentuou, entre a pesquisa básica, a pesquisa clínica, e a prática das profissões de Saúde.

A ESTRUTURA DEPARTAMENTAL

A reforma universitária de 1968 havia também abolido a cátedra vitalícia, antiga reivindicação dos professores mais progressistas e do movimento estudantil. As cátedras foram substituídas pelos departamentos, dotados de colegiados próprios mais democráticos. E os catedráticos – liderança única em cada cátedra - foram substituídos pelos professores titulares. Caiu o domínio senhorial dos catedráticos, e tornou-se possível que os departamentos tivessem mais de um professor titular.

O ICB, nessa nova realidade, reuniu os departamentos de anatomia, histologia e embriologia, biofísica e fisiologia, bioquímica, parasitologia e farmacologia. O departamento de biofísica e fisiologia ficou sob o encargo do Instituto de Biofísica, cujos professores eram representados na congregação do ICB. Nos anos 1980 o departamento de parasitologia foi também incorporado ao Instituto de Biofísica. E recentemente, em 2004, o departamento de bioquímica separou-se do ICB e se transformou no novo Instituto de Bioquímica Médica.

Esse processo de segmentação não foi negativo, pois evitou um provável gigantismo do ICB que talvez o tornasse uma unidade de difícil administração, desenvolvimento que ocorreu em outros ICBs no país. Além disso, corria em paralelo uma forte tendência das ciências biológicas e biomédicas em direção à multi e à transdisciplinaridade. Novas disciplinas científicas apareceram, e a interação horizontal se tornou imperativa na fronteira do conhecimento, obscurecendo os limites dos departamentos. Estava maduro o cenário para a superação da estrutura departamental.

EM BUSCA DE UMA NOVA ESTRUTURA
Em 2005, o então diretor Prof. Adalberto Vieyra fomentou uma intensa discussão interna no ICB, com vistas a reformar a estrutura departamental, que havia se tornado envelhecida e incapaz de lidar com a dinâmica da ciência contemporânea. Com grande participação dos professores, alunos e servidores, esse rico processo de debate resultou em uma nova proposta de Regimento, aprovado em plebiscito, homologado pela Congregação e, em dezembro de 2007, terminativamente aprovado pelo Conselho Universitário.

O novo Regimento trouxe mudanças fundamentais: em lugar dos departamentos, foram criados5 Programas de Pesquisa, 2 de Pós-Graduação (já existentes anteriormente), 4 de Graduaçãoe de 1 de Extensão. Os programas são avaliados quinquenalmente por comissões externasad-hoc, e sua continuidade ou interrupção é decidida pela Congregação. Os professores podem fazer parte de um ou mais programas, bem como postular à Congregação a qualquer tempo a sua transferência de programa. Os professores, além disso, podem solicitar duplo vínculo intrauniversitário, e passar a atuar no ICB e também em outra unidade da UFRJ. O objetivo é fomentar a integração básico-clínica, mencionada adiante. Os programas se reúnem em Câmaras, e a Congregação ficou mais enxuta, assumindo o papel de grande colegiado decisório do ICB.

A expectativa de todos é que a nova estrutura facilite a integração interna entre professores, alunos e servidores, fomentando novas linhas de pesquisa, opções inovadoras no ensino básico para a área da Saúde, crescimento dos cursos de pós-graduação e uma forte atividade de extensão, voltada especialmente para a formação de professores do ensino básico.

EM BUSCA DE UMA NOVA MISSÃO
Com a nova estrutura, o ICB voltou-se para analisar a sua missão. A quê se destinaria um instituto de ciências biomédicas? A discussão levou a propor como missão do instituto, e sua meta para as próximas décadas, investir na integração básico-clínica e na pesquisa translacional. Avaliando que essa é uma tendência internacional, o ICB se propõe a estimular a atuação de seus professores e alunos num amplo espectro de linhas de pesquisa, que vai desde os aspectos mais fundamentais, básicos e descompromissados da Biologia, até a pesquisa clínica orientada para as doenças prevalentes do século XXI, e alternativas terapêuticas para saná-las ou preveni-las.

Fonte: http://www.icb.ufrj.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=10

0 comentários:

Postar um comentário